O intuito desse post é te abrir um leque de possibilidades e novas pesquisas. Sou da opinião que ao encontrar uma informação você deve pesquisar sobre a informação, depois pesquisar a informação sobre a informação e por ai vai ! Aqui te dou um grande leque e abro seus horizontes. O seu caminho quem trilha é você. Espero que goste. Tudo foi escrito e pesquisado com muito carinho. 

Namastê 

                           Baseado em nosso estudo da história do tribal, devemos levar como informação primordial que para ser nomeado de Tribal Fusion precisamos utilizar elementos e bases do ATS. Sim, nós podemos e devemos estudar outras danças para complementarmos nossos conhecimentos e ampliarmos nossos horizontes, já que o Tribal Fusion nos permite isso.

Porém devemos excluir aquela ideia de que Tribal Fusion é sinônimo de dança livre, desde que você estude as técnicas das diferentes danças, culturas e estilos antes de introduzir em sua dança, e que você faça algo que faça sentido pra você e pro público, levando em consideração também nossa base e toda essa criação, você pode sim, escolher um estilo em especifico para você manifestar sua arte e seus sentimentos.

Mas lembrando, é importante estudar, é importante termos uma coerência de musicalidade, figurino e repertório de passos dentro de uma coreografia. Por isso gosto de dizer, que o tribal fusion é livre na hora de você escolher um tema, e agora vamos falar rapidamente de como você pode escolher esse tema, ainda nomeando de Tribal Fusion.

Você pode escolher por exemplo, as danças clássicas indianas como principal temas da sua dança, e usar, ainda dentro do tema, movimentos, bases e influencias do ATS, isso continua sendo chamado de Tribal Fusion. Você deve utilizar, musicas indianas, figurino com inspiração indiana, dentre outros detalhes, como por exemplo, mudrás e seus significados. Porém, se por um acaso a sua dança contém muito mais quantidade de passos indianos e passos da Dança do ventre, por exemplo, do que de passos de tribal, você pode “apelidar” de Indian Fusion ou até mesmo Indian Tribal Fusion, dependendo da quantidade de influencia que possui de cada dança.

Você pode escolher por exemplo, o Flamenco e as danças ciganas como sua principal influência, o que na minha opinião combina muito com muitos movimentos do ATS. 

Dentro dos estilos abordados no fusion, temos também o estilo mais clássico, onde entram modalidades de danças clássicas como Ballet clássico, e eu amo essa mistura, acredito que os passos e posturas do Ballet também podem acrescentar de forma maravilhosa em nossa dança, nesse tema, você também deve escolher figurinos e musicalidade temática. Porém se você utiliza apenas alguns elementos, e mantém suas bases, ainda é considerado tribal fusion.

Também temos o estilo envolvendo danças urbanas, hip hop, poping&locking, dentre outras, na minha opinião, podemos colocar elementos maravilhosos desses estilos no nossos tribal, como por exemplo: snake arms, slow motion efecct, dentre outros passos. E eu utilizo no meu Tribal, porém em uma dose mínima. Novamente, caso a sua fusão esteja muito trabalhada em movimentos e técnica dessa dança, você deverá trabalhar com a nomenclatura, por exemplo, de Urban Fusion.

Existe o estilo dark fusion, que possui um estilo gótico e mais “sombrio”. Nesse estilo existe um grande sentimento e interiorização também. Existem milhões de interpretações aqui. Se você se identifica com esse estilo, vale a pena se aprofundar.

Existe também o estilo burlesque ou tribal cabaret. Também é muito interessante pesquisar por esse estilo, bailarinas influentes como Mardi, Zoe e Rachel já fizeram alguns números com essa inspiração.

Aqui no Brasil, temos o estilo Tribal Brasil, criado pela professora Kilma Farias, que envolve danças brasileiras. E também já temos a criação do estilo Tao Tribal, por Brendo Brier, que envolve também danças urbanas dentre outras coisas. E tem também, o estilo Tribal Shakti, feito por Marilia Lins e Carla Brasil, que é um estilo de Dança Tribal ritualística, onde ela aborda o sagrado feminino e meditação.

Eu acho impossível fazer uma fusão de tudo junto e misturado, porém, o Tribal Fusion e ATS em si já abordam 3 estilos principais, e os meus preferidos também, você pode escolher transitar por todos eles em sua dança.

Hoje em dia, temos também o estilo tribal OLD SKULL, por conta da disseminação do tribal e da modernização também, as coreografias e figurinos mais semelhantes ao inicio da popularização do tribal são agora chamados de Old Skull.

Figurinos para diversos estilos no Tribal

                             Vamos falar de um assunto muito importante: figurino. É importante falarmos desse assunto de forma detalhada, quando entramos no quesito bom senso, as vezes deixamos a desejar no figurino, muitas vezes, escolhendo o figurino inadequado para os passos, e também para o estilo, por isso é muito importante pesquisarmos para que possamos montar um figurino bonito e adequado pra nossa dança.

Vamos começar falando dos figurinos do ATS, esses figurinos tiveram inspiração em muitas culturas diferentes, e também seguindo alguns critérios devido aos objetivos do estilo.

 

Figurinos do ATS: O figurino do ATS foi evoluindo com o tempo, no início, Masha incentivava Carolena a utilizar calça e choli, um xale de franja, muitas jóias grandes e grossas e um turbante ou algum penteado com o cabelo preso. O sutiã de moedas era opcional. Quando o FCBD começou, usavam esse formato, mas aos poucos os bailarinos foram encontrando novos adereços, como saias e cintos bordados.

Detalhes dos figurinos de ATS:

Bindis: Inspiração das danças indianas. O bindi é uma espécie de “terceiro olho”, Pode ser uma pequena quantidade de tinta aplicada no local ou uma joia. É um “brilhinho” utilizado entre as sobrancelhas. Mais profundamente na historia dos bindis, o termo é derivado da palavra Bindu, que em Sânscrito significa ponto. Considerado o símbolo sagrado de Uma ou Parvati, o bindi simboliza a força feminina (shakti) e acredita-se que proteja as mulheres e seus maridos. Pode ser considerado um símbolo de proteção também. Porém hoje em dia, se tornou apenas um item decorativo.

Carolena & Rachel Brice

Joias: Os acessórios remetem a uma atmosfera étnica e antiga, até mesmo medieval, possuindo tamanhos e formas grandes e exageradas, muitas vezes de prata e outro envelhecido. Criando uma atmosfera tribal marcante e feminina para o figurino do ATS. Essas joias podem ser semelhantes as joias indianas, como também africanas e tribais. Os brincos bem grandes são muito utilizados também.

Cinturões: Os cinturões do ATS possuem muita personalidade, ao contrário dos cintos de Dança do Ventre, eles não são brilhantes, na maioria das vezes utilizam cores opacas e medalhas envelhecidas, também são utilizados pompons, desenhos de mandala, com lã, tecido, fios, peças de prata, metal, conchas etc. Esses cinturões também tiveram inspiração em danças folclóricas, culturas africanas, dentre outras.

 Sutiãs: Os sutiãs do ATS são muito inspirados no Ghawazee e nas danças folclóricas, também contendo medalhas com textura envelhecida, conchas e alguns adereços como grandes pingentes.

Choli: “choli” ou “ravika”, é essa blusinha utilizada por baixo do sutiã, também é uma peça de origem indiana, era usada pelas mulheres em baixo do sari, para cobrir e proteger o busto e os ombros. No ATS, também possui esse intuito. Ele pode ser de manga curta, média, ou longa, e também em diversas cores. Você também pode optar por cholis de ombro aberto, que possuem um recorte diferenciado.

Pantalonas ou “calças gênio”: As famosas calças bufantes. Tradicionalmente, um dançarino de ATS nunca permitia que suas pernas fossem vistas, quando a saia enorme é sacudida e uma grande perna é vista – essa perna é coberta com mais tecido. No caso, as calças bufantes. Essas calças tiveram origem em culturas indianas e também em culturas árabes. Elas geram segurança e conforto para as bailarinas.

 

 

Saias Gypsy: Essas saias são muito inspiradas no flamenco, nas danças ciganas e também indianas, elas são a principal característica do ATS e muitas vezes são utilizadas mais de uma saia no figurino. A idéia é a saia criar um lindo desenho no palco junto com os movimentos de giros. Além de criar volume nos quadris e destacar os movimentos. As saias de ATS podem possuir até 25 metros de giro, além de pesarem bastante e possuir muitos babados. Elas também tem o intuito de criar uma aparência dramática e poderosa.

Turbantes: O turbante é um elemento cultural, que está associado principalmente às culturas asiática, árabes, africanas e brasileiras. A origem do turbante é desconhecida, mas sabe-se que já era usado no Oriente muito antes do surgimento do islamismo. … No Oriente, não são apenas os islâmicos que usam o turbante como símbolo da fé. Os adeptos da religião monoteísta indiana Sikh, também fazem uso desse adereço. No ATS, o turbante também é utilizado por estética e também para padronizar as bailarinas, porém hoje em dia, é pouco utilizado, quando é utilizado também pode remeter ao ATS old Skull. O turbante também é muito utilizado por adeptos dos Dreadlocks, para “segurar” e também proteger os dreads, muitas bailarinas de tribal também são adeptas aos dreadlocks. Muitas vezes também, elas colocavam pingentes grandes em seus turbantes.

Rebeca Piñero

Snujs: Podem ser conhecidos também como Zills, Finger Cymbals, Sagat. O snuj é um acessório e instrumento obrigatório no ATS, o repertorio rápido deve ser feito junto ao toque, e as bailarinas sempre seguem o ritmo da música, praticando diversas formas de toques de acordo com os movimentos, os Snujs do ATS são diferentes da Dança do ventre, o Snuj da dança do ventre é pequeno e possui som agudo e baixo, enquanto os snujs do ATS são snujs profissionais de músicos, como a bailarina toca a música inteira, do inicio ao fim, no repertorio rápido, ela também passa a fazer parte da instrumentação.

Devi Mamak

Sari (Saree): Esse adereço é utilizado quando a inspiração da dança é mais indiana. O sari, por vezes escrito “saree”, é uma longa faixa de pano despontado que as mulheres drapeiam sobre o corpo de várias maneiras diferentes. No ATS ele se torna mais um acessório quando a dança possui musicalidade e repertorio mais focados da dança indiana.

Flores, headpiece e xales: Com inspiração nas danças flamencas e ciganas, também são utilizados no ATS muitas flores em torno dos coques e xales de crochê bem grandes. Os headpieces são como tiaras, utilizados no cabelo quando o turbante não está presente.

 

Na opinião de Carolena, quando se trata de figurino de ATS, ela diz “Mais é mais” porém hoje em dia, os figurinos já se reduziram muito para facilitar na produção das bailarinas. Os figurinos também dependem muito da personalidade na bailarina. Eu por exemplo, gosto de misturar no máximo 3 cores, não sou muito fã dos figurinos extremamente coloridos. Você pode através da sua criatividade utilizar cores mais neutras, ou mais chamativas, e até padronizar as cores do seu grupo. Na foto abaixo, um estilo de figurino que me identifico, para te inspirar:

Tribal Fusion:

Bom, agora vamos falar a respeito do Tribal Fusion. A parte mais importante nós já entendemos, agora não precisaremos estudar a origem de cada elemento, pois os elementos apenas se modificaram, muitos elementos saíram, e outros entraram. Vamos conversar um pouco a respeito disso.

O figurino do tribal fusion, no início, manteve algumas características, como os xales, as calças gênio, as joias, sutiãs e cinturões. Porém os cinturões passaram a ser mais semelhantes aos sutiãs. É importante dizer também, que o figurino do tribal fusion iniciou diminuindo a quantidade de cores em quase 80%, tornando-se figurinos mais opacos com cores mais neutras, como preto, marrom, bege… Os cholis e saias foram retirados, com a intenção de mostrar melhor os isolamentos muito presentes no fusion, novos acessórios como luvinha foram inseridos no figurino. Aos poucos também, dependendo do objetivo da bailarina, foram utilizadas saias mais simples e mais “retas” inspiradas também nas danças indianas e dança do ventre, como também calças mais justas, com babados nas pontas. Outras coisas que também passaram a ser utilizadas como adereço, foram penas e dreadlocks nos cabelos. As principais bailarinas responsáveis por criar essas características foram, Jill Parker, Mardi Love, Rachel Brice e Zoe Jakes.  Confiram algumas fotos desse figurino, hoje conhecido como “Old Skull”:

Rachel Brice

The Indigo

Aos poucos, esse figurino foi se modernizando mais, as vezes até diminuindo a quantidade de acessórios. Como inspiração também nos Deuses Hindus, um belo acessório que eu amo, entrou também no tribal, são as coroas. Elas também podem representar qualquer divindade.

Os figurinos foram ganhando personalidade, as vezes lembrando Deuses hindus, as vezes medievais, as vezes mais modernos, as vezes mais semelhantes ao da dança do ventre, as vezes mais semelhante aos do ATS, as vezes as danças indianas, mas nunca devem perder a característica tribal. Você deve escolher seu figurino de acordo com a interpretação do estilo que você deseja seguir. Aqui vou colocar alguns exemplos de figurinos, e através das fotos, você pode notar qual acessório ou característica predomina em cada estilo. A foto acima, de Zoe, já mostra um figurino bem moderno, que pode ser utilizando em um Tribal Fusion com inspiração indiana.

Indian Tribal Fusion:

Nesse figurino, pode incluir: tecido indiano, coroas, saris, cholis ou cropedds, calças genio, bindis, etc.

Irina Akulenko

Moria Chapell

 

Colleena Shakti

Burlesque Cabaret Fusion:

                                             

Nagasita & Rachel Brice

 Dark Fusion:

Ethel Anima
Mariana Maia

Tribal Brasil:

Muitas cores, muitas flores, penas, tudo que remete nossa cultura. Nesse estilo você também pode homenagear os orixás.

Karine Neves
Erick Patricks
Kilma Farias

Urban, Hip Hop, Ballet Fusion, etc:

Os figurinos usados nesses estilos geralmente são mais simples e mais leves, facilitando na mobilidade da bailarina.

April Rose
Tiana Frolkina
Ebony

Flamenco:

Nesse estilo você pode dar ênfase as cores vermelha e preta, utilizar xales, flores, leques, rendas, coque bem preso e até mesmo collant. Você também pode utilizar elementos do seu figurino de ATS.

 

Agora, pra finalizar este capitulo, vamos lembrar de uma coisa chamada bom senso. Tops tomara que caia, na minha humilde opinião, são proibidos na dança, vai estragar sua apresentação mesmo que não caia, você não se sentira segura, e se cair, já sabe né? A dica é você utilizar uma alça transparente caso deseje usar.

Aberturas e fendas muito grandes nas saias ou calças devem ser utilizadas com um shortinho por baixo, para você se sentir segura.

Hoje em dia também vemos figurinos diferentes, mais artísticos, que utilizam minissaias e até mesmo saias com transparência. Não existe limites pra arte desde que você esteja se sentindo bem com o que escolheu. Você deve sempre usar sua criatividade e liberdade de expressão como seu maior guia nessas escolhas.

Tenho aqui dois exemplos de figurinos com as pernas amostra:

Kremushka
Alisa Gurova

Então agora você já possui uma base ótima de conhecimento nesse assunto, muitas fontes de pesquisa e também de inspiração para escolher seu próximo estilo e figurino para dançar. Espero que tenha gostado do conteúdo. Eai, qual seu estilo favorito ? Me conta ? Deixe seu comentário e sua opinião.

Esse texto é parte da minha apostila completa de Tribal. 

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