O segundo tópico do blog não poderia ser diferente. 

Hoje eu queria falar sobre o que é o tribal bellydance de uma forma diferente, além de claro, lembrarmos dos primórdios da dança e de como tudo começou, gostaria de colocar um ponto de vista mais profundo também, levando em consideração todo sentimento que existe em torno da dança. 

Diante de toda minha observação perante as bailarinas e profissionais do Tribal, eu passei a notar uma diferença muito grande na conexão espiritual que existe no tribal comparado a outras danças. Não que isso tenha alguma coisa haver com sua criação, ou que isso passe a ser regra, mas eu percebi, que sim, no tribal essa manifestação se torna mais profunda pois acredito eu, que nos da espaço para conhecermos muito sobre nós.

Agora vou falar um pouco sobre o surgimento do Tribal Bellydance, de forma resumida, e com as minhas palavras. 

Tudo começou na verdade, com Jamila Salimpour e Masha Archer, bailarinas muito importantes e influentes em nossa historia, Masha, já costumava a dançar de maneira diferente, por conta de ter estudado diversos estilo, Masha já fusionava sua dança de forma natural e orgânica. 

Em seguida, em meados nos anos 80, veio o nome mais importante e influente na criação e construção da Dança tribal, Carolena Nericcio, que estudou com Masha no grupo San Francisco Classic troupe, apenas com o fim desse grupo, Carolena passou a dar aulas por conta própria. É muito importante ressaltar também, que Carolena possuía um grande respeito com sua mestra, e dizia que jamais começaria a dar aulas enquanto a sua mestra ainda estivesse na ativa, como forma de respeito e gratidão a tudo que aprendeu com ela.

Por conta de Carolena ter um estilo diferenciado, alternativo, e também ter movimentos fusionados e diferentes, ela começou a atrair pessoas que se identificavam com seu estilo para seu grupo, e então, ela formou o grupo Fat Chance Bellydance. Onde ela ministrava aulas regulares e também fazia apresentações em diversos lugares.

                 O grupo sempre era convidado para apresentações, e por conta disso Carolena passou a desenvolver uma espécie de improvisação coordenada, para que elas não precisassem montar coreografias para dançar, e como, nunca tinham certeza de como seriam os palcos, ou espaços, Carolena também criou formações que se adequariam a qualquer espaço, sendo sempre formadas por duplas, trios e quartetos. Quando há mais bailarinas, é feito uma espécie de “coro” ao redor das principais bailarinas, e essas formações se revezam com o intuito de todas as bailarinas passarem por todas as posições.

                 Diante de tudo isso, ela criou, reformou, adequou o American Tribal Style (ATS®), um estilo inspirado em 3 danças, Dança do Ventre, Flamenco e Dança clássica indiana. Dentro do estilo, existem passos fixos, extremamente detalhados, o estilo também possui diversas regras, uma linguagem através de senhas que apenas as bailarinas conhecem e figurinos cheio de personalidade. Sem essas regras e detalhes, o ATS® não acontece, pois é através disso, que mulheres do mundo todo entendem a linguagem da dança e dançam sincronizadas sem nunca terem ensaiados juntas, essa é a magia do ATS®.

                 O ATS® tem como principal intuito, trazer a atenção do público pra um conjunto geral, pra toda a coreografia. Todas as integrantes da tribo devem se destacar, todas passam pelo momento da liderança e todas usam o figurino igual. No inicio, elas também utilizavam turbantes para ajudar a padronizar ainda mais. Quebrando todas as formas possíveis de comparação e competição entre as bailarinas. E é legal lembrar também, que o nome “Fat chance” surgiu de uma gíria “Sem chance” como por exemplo: sem chance de você ter um show ou uma conversa em particular, os figurinos também eram fechados, para que junto a esse intuito, a atenção ficasse totalmente na técnica, na arte e no conjunto geral, e não por exemplo, no corpo das bailarinas.

Esse estilo foi crescendo cada vez mais, e dentro de sua turma, havia uma bailarina cheia de personalidade, Jill Parker, que fez parte do Fat Chance, logo Jill, sentiu a necessidade de traçar novos caminhos, foi quando criou o seu grupo Ultra Gypsy, e sua dança foi se construindo de forma orgânica, como consequência de seus estudos no American Tribal Style e nas Dança do ventre clássica e Folclórica, Jill então, criou o que hoje chamamos de Tribal Fusion Bellydance, e esse nome surgiu, justamente pela sua grande influencia do ATS ®. 

A historia do tribal é muito longa, e eu indico que você leia novos tópicos por ai. Eu acredito que a personalidade da dança nao foi criada por apenas uma pessoa, e sim foi se construindo de acordo com o estilo das pessoas mais influentes no Tribal. Outros nomes são importantes na construção do Fusion como o conhecemos hoje. Heather Stands do grupo Urban Tribal, teve uma grande influência ao dançar em lugares alternativos e utilizar músicas eletrônicas e hip hop. Frederique Johnston, dentre outros, mas de fato as grandes responsáveis pela disseminação desta dança foram, Zoe Jakes, Mardi Love e principalmente Rachel Brice. Juntas formavam a The Indigo Dance Company (2003).

The Indigo – Rachel Brice, Mardi Love, Zoe Jakes

No video acima, temos Heather e sua turma de alunas, falando sobre os motivos de se encantarem pelo Tribal e sobre um pouco do estilo que elas adotaram, muito interessante.

Nossa, que historia né ? O mais interessante de tudo é que estamos ainda, praticamente vivendo no inicio do estilo, o estilo ainda é recente, fazendo com que poucas pessoas o conheçam. Porém, nós apaixonadas pelo tribal, tão bem construindo e criado por essas pessoas, devemos tomar cuidado com uma coisa, com a disseminação do estilo. Muitas pessoas dentro da Dança do Ventre veem o tribal como um estilo largado e totalmente livre, fazendo com que assim, toda sua técnica e influencias sejam deixadas de lado. Assim como qualquer Dança, o Tribal, até mais, exige muito estudo e muita pesquisa. Nós amamos o estilo e não queremos que ele morra ou se transforme em algo totalmente nada haver né ? 

Agora vamos falar mais um pouco dessa nossa conexão profunda com essa dança. 

Todas essas mulheres eram mulheres alternativas, tatuadas, e na minha opinião, revolucionárias.

As vezes eu paro pra pensar, se hoje em dia é difícil ser uma mulher do mundo alternativo, é difícil ser aceita em meio a sociedade, sendo “diferente”, imagina naquela época? Por isso eu admiro tanto essas mulheres, que não tiveram nenhum pouco de medo de serem si mesmas, de assumirem suas personalidades e também de revolucionarem a dança. 

Por conta de tudo isso, passei a observar que o tribal se transformou em um ponto de acolhimento pra todas nós, em uma fonte de manifestação infinita daquilo que verdadeiramente somos. Passei a notar a diferença na postura, no acolhimento entre bailarinas e também na liberdade de expressão. 

Eu acredito que independente da técnica, por mais que a técnica do tribal seja difícil e detalhada, essa dança também nos proporciona um encontro com nossa essência e com a liberdade de expressão. Por mais que a dança seja profundamente técnica, ao mesmo tempo ela nos trás a chance de manifestar a nossa personalidade, e também manifestar diversas formas de sentimento. 

Por isso eu sempre digo que uma dança linda é aquela que surge da alma, o Tribal nos proporciona essa conexão. É algo além da técnica e da aparência. É uma dança que nos liberta e nos aflora, pois encontramos no Tribal uma grande fonte de inspiração e acolhimento. 

Devemos então, honrar nossas ancestrais da dança, honrar as raizes dessa dança, estudar muito, dedicar muito, para que ela se espalhe da melhor maneira possível. 

 

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