Tribal Fusion: Olá bellydancer, hoje eu trouxe um resumão com as informações que vamos precisar pra seguir estudando a história do Tribal Fusion daqui pra frente.

Mergulhar na história do tribal fusion, é, principalmente, mergulhar na história de diversas pessoas. E é justamente isso que vamos fazer. Hoje vou resumir um pouquinho das principais pessoas que iremos estudar aqui nessa jornada.

Vamos lá?

Jamila salimpour, foi a pessoa que iniciou tudo isso, e também foi uma das responsáveis pela construção do que hoje é a dança do ventre. Ela estudava muito, viveu para conhecer a dança, a musica e as culturas orientais. Jamila foi a responsável por separar os movimentos da dança por famílias, nomeou diversos movimentos da dança do ventre e também foi responsável por incluir diversos acessórios e elementos a dança.

Criativa, dedicada e líder nata. Jamila sempre levava sua tribo para se apresentar em diversos lugares, e já era conhecida por conta disso. O seu grupo já era visto pelas pessoas como uma “tribo”. Ela tinha grande influência e presença das danças folclóricas em seu repertório, e acabava por trabalhar sempre com variações marcantes em suas apresentações.

Figurinos folclóricos marcantes, música ao vivo, formatos de palco circenses, o uso de “coros” que é hoje parte do repertório do american tribal style, snujs, pandeiros, espadas, muitas jóias e muita cultura. Essas caraterísticas formavam o grupo BalAnat, eles dançavam o que seria o lado folclórico da dança do ventre. Já existia uma fusão de culturas ai, inclusive de danças ciganas e indianas.

jamila tribal fusion

Quem conhece dança do ventre certamente já estudou Jamila. E quem conhece o tribal também. Porém nossa historia foi tomando um rumo diferente quando Masha Archer, se expressou. Uma mulher forte, artista nata, decidida e cheia de personalidade. Ela fez parte de muita coisa do que hoje chamamos de tribal. Figurinos, movimentos, acessórios, joias…. Masha colocou a dança um patamar acima, fortaleceu e solidificou mais ainda a técnica e construiu boa parte da ideia do figurino. Masha não gostava que a dança não fosse vista unicamente como arte, não gostava de distrações durante suas apresentações. E por isso o figurino era todo trabalhado para que o corpo da bailarina não fosse exposto, através de cholis indianos, turbantes, grandes saias e calças…. Apenas a barriga das bailarinas ficava a mostra. Masha também dançava em tribo, e nessa tribo, havia uma aluna, extremamente apaixonada, dedicada e forte: Carolena Nericcio.

Depois de anos sendo aluna, quando Masha parou de dar aulas, Carolena começou a juntar-se novamente para dançar, e logo iniciou uma nova tribo. Seguindo tudo aquilo que havia aprendido com Masha, logo nasceu o Fat Chance Bellydance, que é uma giria para “sem chance”, sem chance de que as bailarinas seriam algo além de artistas. Sempre com o intuito de respeitar a arte e respeitar o corpo das mulheres que dançavam.

Essa tribo vivia sendo convidada para se apresentar nos lugares, e sempre era uma surpresa, o formato dos palcos, os espaços, as músicas, e por conta disso, Carolena criou formas de trabalhar com formações e improviso. Até então, todas elas chamavam a dança que elas faziam de Dança do Ventre, mas por conta de tantas transformações, criações e influência de outras danças, ficou nítido de que a dança já era algo totalmente novo. Até que Carolena decidiu assumir que havia criado um novo estilo de dança, e por fim, o patenteou, e se tornou o que hoje chamamos de American Tribal Style. Carolena sempre reconheceu Masha como sua principal mestra, porém depois a partir dai, da nomeação para tribal, da criação de uma nova técnica, ela fez e ainda está fazendo história.

Após Caroleena, grandes nomes que estudaram com ela também disseminaram o estilo, partindo do ATS, mas criando novas modificações. Através de bailarinas como Amy Sigil, responsável pela disseminação do ITS e da Jill Parker, responsável por iniciar o que hoje chamamos de Tribal Fusion, esse estilo denominado tribal foi crescendo cada vez mais.

Após isso grandes bailarinas como Rachel Brice, Zoe Jakes e Mardi Love, foram responsáveis por disseminar o tribal por todo o planeta e também conquistar diversos seguidores e apaixonados, fazendo com que hoje a dança esteja tomando grandes proporções.

Tribal Fusion: Jornada pela história – Jamila Salimpour

Jamila Salimpour

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        Jamila, de aparência exótica, com olhos delineados e tatuagens faciais, vestindo trajes cintilantes e um elaborado vestido até a cabeça. Praticamente a imagem de uma deusa mitológica da terra. Focada e atenta, ela controlava a sala de aula com uma serena confiança, desmentindo a complexidade de seus movimentos.

        Jamila Salimpour nasceu em Nova York em 1926. Era filha de pais imigrantes. Seu pai, viveu no Egito, Síria e Tunísia enquanto estava na marinha siciliana. Ele sempre trazia gravações de músicas e danças do Oriente Médio e sempre entreteve sua família com interpretações animadas de dançarinos orientais, Jamila adorava imitá-los.

        Ainda jovem, Jamila apresentou seu interesse para o alternativo e o diferente. Ela fez parte de uma escola de circo, a Ringling Brothers Circus aos dezesseis anos, onde foi assistente de malabarista. Ela também apareceu em shows diários como dançarina acrobática no ringue com cinco elefantes.

        A dança oriental voltou à vida de Jamila em 1947, desta vez a partir do cinema. Filmes estrelados pelas famosas dançarinas egípcias Samia Gamal, Tahia Carioca e Naima Akef foram seus primeiros estudos. Ela assistia os filmes repetidas vezes, e depois repetia os movimentos em frente ao espelho.

        Jamila foi empregada como joalheira dos dezenove aos vinte e seis anos. Mais tarde, ela aproveitou essa experiência quando criou joias para o corpo e as cintas de moedas e correntes de metal, que se tornaram acessórios de sua dança.

        Jamila, conhecida também por cozinhar bem, mais tarde abriu uma cafeteria, com seu segundo marido, Satya, com quem se casou aos 27 anos. Ele era dançarino das Índias Orientais e grande jogador de xadrez.

        Através dessa cafeteria, Jamila passou a convidar diversas bailarinas para dançar. E ficava sempre de olho, aprendendo com cada movimento e cada passo. Jamila tentava ao máximo repetir os movimentos em seu corpo.

        Em 1958, Jamila, recentemente divorciada, mudou-se para São Francisco e começou a dançar em North Beach. Ela também organizou apresentações para diversos dançarinos do Oriente Médio. Foi aqui que Jamila conheceu e se casou com o baterista persa Ardeshir Salimpour, pai de Suhaila.

        Ironicamente, sob ameaça de violência, e do extremo machismo naquela época, o novo marido de Jamila a proibiu de dançar em público. Mas felizmente, por conta da necessidade financeira, Jamila continuou com seus trabalhos com a dança e logo começou a dar aulas. Ela foi muito destemida, pois foi muito julgada por muitos bailarinos.

jamila-salimpour

        A partir dai, Jamila começou a criar novos métodos de ensino. Quando ela começou ensinar, não haviam muitos passos definidos e também não havia separação de técnicas. Tampouco havia nomes para os passos. Por conta disso, Jamila sempre estudava os movimentos mais utilizados em regiões variadas, e colocava os nomes referentes a sua cultura e bailarino principal.

        Jamila começou a compilar anotações sobre os padrões de toques de snujs quando estava grávida de Suhaila. Ela analisou e desenvolveu várias maneiras diferentes de tocar. E até gravou discos com esses toques para estudos.

        Jamila criou dezenas de padrões de toques que fornecem um forte contraponto rítmico e percussivo à música e ao movimento, publicando-os posteriormente em sua obra. Manual dos snujs.

        A terminologia de Jamila era baseada nos nomes dos dançarinos que ela via fazer o passo, ou movimentos característicos de determinados países. Por exemplo, houve a “queda turca” de Tabura Najeem; o oito “Maya”, o “Zenouba”; o shimmy 3/4, “Samia”, dentre outros. Parecia lógico para ela organizar movimentos em famílias, como “tunisiano”, “argelino”, marroquino ”,“ egípcio ”e“ árabe ”. Ela utilizava também os nomes para etapas, significava que você poderia dizer ‘Árabe Dois’ e imediatamente todos saberiam qual posição tomar e qual seria o passo.

        Jamila diz que sua maior contribuição para dança é a sua metodologia, e gostaria que os orientais reconhecessem a importância americana na construção do que hoje é chamado de Dança do Ventre. A preservação do trabalho no quadril, a quebra verbal da atividade muscular e do posicionamento corporal deram aos alunos de Jamila um conhecimento íntimo da dança oriental, não por imitação, mas por meio da compreensão intelectual e da experiência pessoal da mecânica física. Isso é bem parecido com a minha forma de estudar e ensinar. Me identifico muito com a história de Jamila.

        À medida que a quantidade de estudantes de Jamila crescia aos milhares, ela veio deixando o seu legado. Simultaneamente, havia outro fenômeno californiano, The Renaissance Pleasure Faire, era um evento originalmente organizado no norte e sul do estado.  Dezenas de milhares de pessoas compareceram a esses eventos.                 

        Alguns dos alunos de Jamila começaram a dançar no Faire, e os organizadores pediram que ela criasse um show de meia hora, três vezes por dia. Por conta disso, em 1968, nasceu a Troupe Bal Anat.

bal anat

        O uso de instrumentos era rico. Haviam mizmars, zaghareets, derbake, tabla beledi, deff e sagat (snujs). Entrando em uma sintonia perfeita, os quarenta membros entravam, formando uma espécie de “coro” atrás do palco enquanto as bailarinas dançavam ao centro. Eram vestidos com inúmeras formas de trajes do Oriente Médio: turbantes e tatuagens, roupas e galabiyas, “calça gênio” listrada, joias de prata antigas, pulseiras de âmbar e colares com a mão de Fátima (Hamsa).

        “Estávamos tentando ser muito tribais e com aparência do mundo antigo …” explicava Jamila. “Éramos muito coloridos em nossas roupas, mas o público também era muito colorido em suas roupas”

        A extensa personalidade de Bal Anat se formou com influências da Tunísia, Argélia, Marrocos, Índia, Turquia e Egito. As coreografias solo e de grupo incluíam bandeja, bengala, espada, cobra, jarro, dervixe e diversas outras inspirações. Era uma linda fusão.

        O intuito de Jamila nunca foi criar algo novo e autêntico. Ela dizia que só queriam se divertir. E dessa forma curiosa, ela acabou por cooperar por muita coisa do que hoje chamamos de Dança do Ventre, ATS e Tribal Fusion. Inclusive a dança com espadas e outros acessórios.

        Logo, Suhaila, filha de Jamila, juntou-se a mãe para esse mundo  Tendo o palco como algo natural, Suhaila e Jamila iniciaram uma jornada juntas de aprofundamento nesses estudos. O método delas foi criado mediante a muito estudo, viagens, conhecimento de culturas e musicalidade extremamente afiada

        Acredito que Jamila seja o bercinho onde o ATS e tribal fusion, começaram a se manifestar. Por conta de toda essa manifestação cultural diante do Bal Anat. A maneira como se vestiam, como se comportavam, hoje assistindo uma apresentação de ATS por exemplo, você pode sentir muito mais do que poderia ser a energia de uma trupe como essa se apresentando.


 Fontes de pesquisas: Salimpour School, The best of Habib….

Acompanhe o blog para mais sobre essa história linda!

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O tribal fusion é uma dança que vem crescendo rapidamente, uma arte que vem encantando milhares de pessoas. Se você deseja acompanhar mais sobre essa história, continue de olho nas postagens do BLOG, e iremos estudar profundamente essas bailarinas e professoras maravilhosas.

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